
Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não Dessa tristeza criminosa dos que, em vez de se matarem,
fazem poemas.
Estou triste porque voces são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a voces. Acho voces uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas comos são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças dágua,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!
(M. Quintana) (Ilustração de Vicente Vitoriano)
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