quinta-feira, 17 de maio de 2007

Cocktail Party


Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não Dessa tristeza criminosa dos que, em vez de se matarem,
fazem poemas.
Estou triste porque voces são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a voces. Acho voces uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas comos são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças dágua,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!

(M. Quintana) (Ilustração de Vicente Vitoriano)

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