
As cores tem um ar levemente desbotado e as gaivotas mergulham aos gritos , junto aos banhistas, com seus calções coloridos e as toucas de borracha.
Na plataforma perimetral, os vigilantes, com seus capacetes reluzentes, apitam nas longas flautas de coral repreendendo algum movimento desordenado.
Há um ar de tranquilidade apesar da visão dos guardas. Os aqualoucos desenvolvem suas peripécias indiferentes aos apitos e às ondas, como num grande tanque em vez de mar.
Alguns cardumes de pequenos peixes luzidios aproximam-se e lhes fazem cócegas na barriga e nas nádegas semi-descobertas.
Não há sol, mas os imensos refletores diretamente dirigidos para a água, provocam uma gostosa ilusão de calor.
Vez ou outra, estouros esparsos são provocados pelas gaivotas que, atingindo uma certa altura, chocam-se com os refletores, que logo são substituídos por outros intactos.
Agora, os aqualoucos formam uma imensa pirâmide, a princípio desordenados e logo depois, simetricamente harmônicos, uns sobre os outros, até atingir o céu de vinil artisticamente pintado e preso sobre as cabeças dos bonecos , e, após atingí-lo, cortam uma abertura semi-circular por onde escapam todas as gaivotas e depois, tombam sob os tiros dos guardas da plataforma 5.
(Uma viagem com chá - Janeiro/75)
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